quarta-feira, 11 de julho de 2012

Dom Eugênio Sales

Bento XVI ressalta vida de longa dedicação à Igreja e diz que cardeal foi testemunha do Evangelho no meio de seu povo


O Globo/Rafaella Barros e Ruben Berta

Em telegrama enviado ao arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, e publicado no site do Vaticano, o Papa Bento XVI destacou que dom Eugenio Sales foi uma autêntica testemunha do Evangelho no meio do seu povo e o definiu como um "intrépido pastor". Bento XVI enfatizou o papel social e a atuação solidária do cardeal. "Recebida a triste notícia do falecimento do venerado cardeal Eugenio de Araújo Sales, depois de uma longa vida de dedicação à Igreja no Brasil, venho exprimir meus pêsames a si e aos bispos auxiliares, ao clero e comunidades religiosas, e aos fiéis da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que, por três décadas, teve nele um intrépido pastor, revelando-se autêntica testemunha do evangelho no meio do seu povo", afirmou o pontífice. O arcebispo dom Orani Tempesta ressaltou as ações sociais do cardeal e a ajuda que deu a perseguidos políticos durante o regime militar. Dom Eugenio abrigou no Rio mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul, entre 1976 e 1982, quando o Brasil também vivia uma ditadura.
- Ele defendeu os direitos humanos. A cada época, ele viveu o seu tempo, buscou soluções para a ditadura e para as questões sociais. Foi um dos brasileiros com mais influência no governo central da igreja - disse o arcebispo durante a primeira missa de corpo presente, na Catedral.

Dilma destaca preocupação social de dom Eugenio

A presidente Dilma Rousseff destacou a preocupação social de dom Eugenio associada ao trabalho eclesiástico, sintetizados nas Campanhas da Fraternidade, uma de suas iniciativas. Dilma afirmou ainda que o arcebispo emérito "deixa seu nome inscrito na História da Igreja Católica pelo relevante papel que desempenhou em toda sua vida".
O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes decretaram luto oficial de três dias. Em nota, Cabral disse que dom Eugenio era amado pelo povo do Rio de Janeiro e que foi a liderança religiosa mais importante do estado nas últimas décadas.
Já Eduardo Paes afirmou que o cardeal foi um "exemplo de caridade nos anos mais difíceis da história brasileira".
- O nome de dom Eugenio se confunde com a história do Rio. Ele marcou a cidade e o Brasil com uma série de iniciativas na Igreja Católica e defendeu a liberdade e os direitos individuais - disse o prefeito ontem, ao chegar ao velório. 
Em Brasília, o presidente do Senado, José Sarney, disse que o cardeal deixou um importante legado para a Igreja:
- Ele deu a essa missão o sentido da caridade, do respeito às pessoas, aos direitos humanos e, sobretudo, da evangelização", afirmou.
O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) também lamentou a morte do cardeal: 
- A morte de dom Eugenio Sales deixa uma lacuna muito grande na Igreja, no Rio e no Brasil.

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